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Currículo 30-60-10: A Era do Nexialista

Currículo 30-60-10: A Era do Nexialista

Antes os estudantes deveriam ser treinados para correr em busca do alimento, depois navegar
em um mar azul ou vermelho, agora devem ser capacitados para voar em um céu nublado com
nuvens carregadas de dados e informações digitais. Em outras palavras, no passado, a educação
se resumia a ensinar algo novo ou inédito para o estudante, hoje significa certificar-se que
conseguirão desenvolver um altímetro e uma bússola confiável, bem como, competências e
habilidades para terem sucesso em um mundo cada vez mais incerto, volátil, ambíguo, com
abundantes dados e informações kafkianas.


Como manter os estudantes motivados, engajados e preparados para superar esses desafios e
imprevistos que, hodiernamente, são rotineiros? O dilema se amplifica, ao verificar que as
habilidades mais fáceis de ensinar, são também as mais simples de digitalizar, automatizar e
tecnicizar, pois o trabalho físico, repetitivo e preditivo está sendo escamoteado por máquinas
“inteligentes” movidas por inteligência artificial.


Também transpôs-se o tempo em que o diferencial de um profissional estava em ser generalista,
possuía um amontoado de conhecimentos genéricos, acoplados a uma visão sem foco e
qualquer saber especifico. O especialista ganha força, contudo, se limita a opinar sobre um
singular tema o que poderá́ ocasionar dificuldades na visão de conjunto. Eis que surge o
nexialista, um prócer apto a estabelecer um inovador padrão de pensamento e uma visão
sistêmica e sinérgica, criadora de ideias integradoras e de múltiplas abordagens, substituindo o
pensamento linear do especialista que apresenta soluções padronizadas, bem como, permuta o
generalista com seus diagnósticos trivializados e superficiais que inviabilizam a visão do todo.


O nexialista, um líder que está entre o generalista e o especialista, profissional com cabeça de
hiperlink, que dispõe de mentalidade, perspicácia e sagacidade diferenciada, com a incrível
capacidade de congregar pontos de vistas diversos, compreender, analisar, sintetizar, avaliar
uma situação, fazer liame entre os temas e criar soluções com perfeito bom senso. Nem sempre
sabe as respostas, todavia conhece os caminhos de onde buscá-las, conecta pessoas e
conhecimentos aparentemente não relacionados, é antenado, versátil, atento, compenetrado e
capaz de acomodar e ordenar o caos e a confusão. Não desfruta da profundidade do especialista,
tampouco da pluralidade do generalista, mas possui a versatilidade e a conectividade de
descobrir as respostas certas onde elas se encontrarem.


O nexialismo provoca uma alteração substancial no comportamento humano, promovendo na
educação uma cultura de mão dupla, na qual, o estudante aprende com o professor, o professor
aprende com o estudante. O mercado se inspira na escola, a escola se inspira no mercado. A
academia intervém na sociedade, a sociedade intervém na academia. Para que isso ocorra, é
vital que as escolas se tornem menos insulares e mais continentais. Gestores, docentes e
discentes devem trabalhar sistematicamente para transladar o mundo exterior para a sala de
aula e inserir os aprendizes na comunidade para conviverem, transferirem os conhecimentos,
competências e habilidades assimilados e solucionarem distintos distúrbios e problemas reais.


Sendo assim, as escolas precisam preparar os estudantes para um mundo de multiplicidade e
abundância, em que muitas pessoas interagem e se relacionam com outras de diversas etnias e
origens culturais, que respeitam e valorizam as distintas ideias, perspectivas e valores; um
mundo no qual as pessoas precisam decidir como confiar e colaborar em meio a essa
diversidade; um mundo em que suas vidas serão afetadas por questões que vão além dos muros
das escolas e das fronteiras nacionais.


O currículo tradicional não consegue desenvolver os nexialistas, uma vez que transmite, mas
não ensina a buscar informação, em outras palavras, não desenvolve a inteligência decernere, a
aptidão de rastrear, discernir, escolher e tomar boas decisões. As metodologias ativas também
não medram, porquanto, desenvolvem apenas uma parte das competências e habilidades
necessárias à um nexialista, ou seja, tem como objetivo aplicar os conteúdos ensinados para
desenvolver a Inteligência Volitiva, a proatividade, a atitude de fazer acontecer, que é diferente
de unir, conectar e anuir intercorrer.


É fato que muitas escolas, vários coordenadores e gestores educacionais, esforçam-se em
conceber um perfil de egresso nexialista aderente às novas necessidades do mercado, que seja
mais do que mera burocracia para atender e satisfazer o MEC, que se amolde como direcionador
e guia para o planejamento e ações dos educadores. Contudo, o status quo possui muitos
protetores, como é verificável por qualquer educador que queira encontrar espaço para novos
conteúdos educacionais nos densos currículos escolares. Os resultados são currículos escolares
dilatados, superficiais, sobrecarregados, parcialmente pertinentes, que dominam as escolas e
que seriamente impedem o desenvolvimento de competências e habilidades profundas e a
utilização de uma pedagogia de vanguarda, que desenvolva os conteúdos, competências,
habilidades e a personalidade (caráter) dos estudantes.


Formar o perfil nexialista no currículo 30-60-10, é mesclar a diversidade de conhecimentos de
fundamentos e específicos, de modo que tudo tenha nexo entre si. Emprenhar um profissional
com capacidade de perscrutar, discernir, escolher, observar, compreender, ponderar, analisar,
sintetizar, avaliar, criar, com as características de inconformismo, curiosidade, interesse amplo,
visão sistêmica, habilidade multidisciplinar, equilíbrio para encontrar o conhecimento
necessário, aplicar critérios e princípios comuns, competência para descobrir a causa e
especificidade, com o propósito de julgar e solucionar cada problema e adversidade.


Um currículo eficaz fornece aos estudantes uma introdução sólida às diferentes áreas do
conhecimento, destacando seus conceitos, processos, métodos e principais ferramentas
(Dimensão 30). Ele também evidencia os aspectos práticos, cognitivos e emocionais relevantes
daqueles engajados na ensinagem de cada conhecimento, no desenvolvimento das
competências e habilidades, bem como, suas aplicações e transferência no mundo real
(Dimensão 60), que ocorre por meio da interação com os colegas, docentes, mercado e com os
profissionais que sabem aplicar os conteúdos na prática (Dimensão 10). Ao observar como o
outro realiza as atividades, ao dirimir dúvidas, ao receber feedback e feedforward, ao praticar,
o aprendiz vai compreendendo os processos e os meios mais simples e eficazes de realizar cada
atividade dos desafios propostos.


Esses são os objetivos do livro Currículo 30-60-10, um texto prático, alicerçado na Taxonomia de
Bloom, formar o perfil nexialista, amplificar a Inteligência de Vida, somatório da Inteligência
Construtiva e do conhecimento processual concebido por meio da aplicação e transferência dos
conteúdos assimilados no desenvolvimento de projetos, na resolução de problemas inéditos, ou
não, e das interações entre o aprendiz, o mestre e o objeto a ser construído durante as
atividades de aprendizagem; da Inteligência de Rua, conhecimento metacognitivo,
conhecimento de si próprio e de suas capacidades, bem como, conteúdos, habilidades e
competências que se angariam fora dos muros da escola (família, mercado, sociedade) e da
Inteligência de Escola, que exprime memorização de conhecimentos factuais e conceituais, e
alude o estudante ser exímio fazedor de provas e exames . O propósito, portanto, do currículo
30-60-10, é desenvolver a Inteligência de Vida, afinal, como nos ensina o provérbio latino: non
scholae, sed vitae discimus (não aprendemos para a escola, mas para a vida).


Por último, para os entusiastas e aficionados por tecnologia, é relevante salientar que a
tecnologia não ensina, apenas facilita a aprendizagem e o desenvolvimento de competências e
habilidades; que a tecnologia não é a “bala de prata” que irá solucionar todos os dilemas e
dubiedades da educação; que sozinha não irá promover o eduployment, em outras palavras, a
integração entre a escola, o mercado e a sociedade de forma geral.

NEXIALISMO LIVRO 25.02
Livro Currículo 30-60-10: A Era do Nexialista


Em tempo:


O livro Currículo 30-60-10: A Era do Nexialista, Ed. Viseu (2022), já está disponível diretamente
na editora, bem como, nas livrarias e principais plataformas e sites de vendas online da Internet.

Autor – Rui Fava

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